sexta-feira, 20 de maio de 2011

O Cego de Jericó

Poesia de Mario Barreto França 
com algumas alterações em negrito 

Perto de Jericó, à margem do caminho,
Costumava sentar-se, esmolando sozinho, o cego Bartimeu.
Ah! Ele já não via a paisagem sorrir sob o céu de safira,
Os rebanhos pastando em campos verdejantes,
E os de seu pai de bênçãos transbordantes,
Porque, infelizmente sua sentença,
era ser cego e mendigo,
Mergulhado na dor de sua treva imensa...

E ele, no íntimo d’alma, exclamava:
– Quem dera encontrar esse Jesus que milagres opera,
Pois eu tanto imploraria e choraria tanto,
Que ele haveria de ter piedade do meu pranto,
E daria, então, luz para meus olhos,
Guiando-me na vida entre tantos escolhos!...

Certo dia, porém, ele estava esmolando,
Quando ouviu o rumor da turba caminhando.
Prestou toda a atenção e descobriu sem custo,
Que era Jesus quem vinha
– O poderoso e justo, Mestre e Senhor.

Ao sentir que perto estava, na esperança de se escutado gritava:
– Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim,
E livra-me Senhor, destas trevas sem fim!
E muitos, em ameaça, exclamavam:
– Ó tolo, cala-te! E em teu silêncio encontrarás consolo!...
E ele gritava mais: – Jesus, eu creio em ti!
Tem misericórdia de mim, filho de Davi!

É que ele meditava: – Se agora não falo,
Onde irei, onde irei outra vez encontrá-lo?!
Se me passa veloz essa oportunidade,
Nunca mais verei a minha felicidade!

E Jesus, que entre a turba calmo ia seguindo,
Solícito parou, aquela voz ouvindo,
Chamai-o, disse a turba, trazei-lo sem demora,
Porque na sua angústia ele suplica e chora!
E foram-no chamar na alegria que inflama:
– Levanta-te com fé, pois o Mestre te chama!
Tem esperança e vai!

E ele a capa deixando,
Seguiu para o senhor de gozo transbordando.
– Que queres que eu te faça?
– Perguntou-lhe Jesus, e o cego lhe respondeu:
– Que eu veja a tua graça! Que eu tenha vista, Mestre!
Então, Jesus lhe falou:
– Vai em paz! Vai em paz! A tua fé te salvou!
Quando ele abriu os olhos na mais grata surpresa

Quando ele abriu os olhos,
Na mais grata surpresa,
Contemplou extasiado a linda natureza:
O céu azul, o campo enfeitado de flores,
E o horizonte a sorrir em nuvens multicores;
Porém, a maior de todas as belezas,
Que diante de seus olhos reluz
É a imagem singela da santa face de Jesus


Fonte: Mário Barreto França
Sob os Céus da Palestina
Editora JUERP Rio de Janeiro, 1971

4 comentários:

  1. Essa poesia de Mário Barreto França é muito bonita, inspirada, e com a interpretação que a escritora Margarete Solange dá quando recita fica muito linda, emocionante.

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  2. A maioria de nós somos cegos, como o cego de Jericó. Temos que aumentar nossa fé para poder enxergar as coisas. Muitas vezes a gente só crer no que ver, somos incrédulos como Tomé..

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  3. Linda póesia!E hoje caiu como luva na minha vida!Jesus filho de Davi,tem misericórdia de mim.AmémE verdade maria.Ainda bem que Deus usa seus vasos p/ nos lembrar que Ele ainda opera!Amei!

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